sexta-feira, 29 de junho de 2018

Uma máquina muito bem oleada – Tavares

Ah, a vossa curiosidade de saber o que disse o Romeu. E achais que continuando a ler vireis a saber. Que por muito que me coíba, mais tarde ou mais cedo, mas de preferência mais cedo, vá lá, não custa nada, aqui será colocado preto no branco. Pois, não sei não, não sei, com certeza, o que foi dito ao estilo da tia-avó Roberta. Como não o escrevi no momento certo, passou-se-me, e o pudor tem este duplo efeito, apaga do instante e, se for verdadeiramente intenso, apaga mesmo da memória, e agora, se o Romeu não voltar a repetir, não sei não. Mas o que, sim, vos posso dizer, foi o que o Tavares confidenciou ao Alvares, quando este regressou do pequeno almoço, um pouco hesitante, incomodado do que ouviu do Romeu, que o colocava numa posição desagradável, balouçante, onde não se tinha imaginado, evidenciando sinais de querer desistir, abandonar o barco, o que acendeu logo uma luz vermelha no Tavares, para quem numa guerra o bem mais forte é o moral das suas tropas, dizia mesmo, ao inimigo a convenção de Genebra!, mas para manter a unidade das nossas forças vale tudo!, é a guerra é a guerra, é a guerra psicológica, pelo que logo asseverou, para tranquilizar o Alvares e o re-encasquetar do seu espírito de missão, tem calma Alvares, vai tudo correr bem, que isto é uma máquina muito bem oleada, uma vez posta em marcha não há quem a pare. Ora, essa é que é essa, e cabe a este vosso humilde narrador, a tarefa de iniciar a descrição de tal máquina na síntese possível de como o Tavares a enalteceu, obra de génio, aporte de várias engenharias, da mecânica, obviamente, mas também da social. Pois é. Imaginem, antes de mais, um esguia boca de tubos, que se desembocam num alambique, como uma adorável balzaquiana de voz suave e ancas matreiras, onde os mais puros sucos da sedução se esgueiram através de um emaranhado de canais que se encaracolam para cima e para baixo, tentando, devido a restrições logísticas associadas à sua instalação, conter no menor espaço a maior extensão possível, por forma a que nele se produza o produto por fases. Uma outra caraterística, é a utilização de uma técnica chamada de incirculamento, e perdoai-me a inexistência da palavra, mas esta é uma luta constante com os termos, na qual cabe aos tubos mais grossos, aqueles por onde os resultados já passam no seu estado quase final, de fazer isso mesmo, incircular, lá está, os outros, mais especializados, e de algum modo mais suscetíveis, pois na engenharia, tal como nos seres vivos, o trabalho especializado é obra dos elementos mais sensíveis, mais tentados à interrogação. Deveis estar a pensar, mas o que tem de extraordinário esta máquina? Não está o universo pejado dos mais diversos artefatos, cada um com a sua função?, cada um com a sua forma?. E foi exatamente essa a questão levantada pelo Alvares. E a resposta foi-lhe muito bem dada pelo Tavares, meu caro Alvares, o que esta máquina tem de único, é que qualquer que seja o que lá introduzires, o resultado é sempre o mesmo, e confirmou a marosca com um piscar de olho ao Alvares que o sentiu como uma luz verde, de alívio.

domingo, 24 de junho de 2018

Poetisa – Susana

A Susana tem jeito para as palavras. Pega numa folha de papel e vai escrevendo uma a uma, de seguidinha, e, então, para, relê o que escreveu e começa a experimentar, trocando aqui, acrescentando acolá. E há palavras que encaixam muito bem, que parecem estar fadadas para o seu lugar. Estão lá na perfeição. Não no princípio. Da plenitude só se dirá mais tarde, quando elas até já tiverem perdido algum do seu brilho, quando pelo convívio se tenham tornado um pouco como as outras, tenham ido às mesmas festas, partilhado as mesmas companhias, procriado, quiçá, gerando palavrinhas, iniciando uma nova linhagem, uma escola própria, de plagiadores perfeccionistas, que por um dedicado trabalho de polimento definam as regras de um estilo. E não está mal, concordo, também a Susana se delicia a ler os bons espécimes, enquanto interiormente desmonta os princípios com uma precisão matemática, sorrindo, pressentindo como encaixam, por vezes sendo mesmo capaz de antever a próxima, perfilhada, certinha, mas depois chega-lhe um aborrecimento, uma náusea, e diz, foda-se, atira o livro para o chão, e sai a correr de casa, deixando a porta aberta, como quem não tem intenção de voltar. As palavras para que a Susana tem jeito, no princípio são estranhas, ficando mesmo ridículas naquela posição, naquela posição?, nem pensar!, não foram feitas para ali!, é da consonância geral, e as outras, claro, olham-nas desconfortáveis, como se elas tivessem mau cheiro, quem fez este alinhamento, perguntam, que estão elas aqui a fazer, quem as deixou entrar, e gera-se um mal-estar, pressente-se um sentimento de contágio, intranquilidade, que começa por ameaçar as mais frágeis, provocando-lhes arrebates, arfares de peito sob o espartilho, a que as mais conservadoras estão alerta, interpondo um jogo de interpretações que faça regressar a calma à frase, evitando que se faça deslizar os fios de seda pelos ilhós, trazendo cá para fora seios cheios, ansiosos de exposição. Não como os da Susana, que se conseguem esconder na palma da mão, e quando digo palma não digo mão, não sendo os dedos para aqui chamados. Talvez por isso a Susana não seja dada a oscilações do peito, e é com aparente indiferença que intromete as palavras, com uma emoção gelada, filha de um susto, daqueles que provocam arrepios de cima a baixo, paralisam. Ah, Susana. O próprio Afonso lhe disse uma vez, não sem uma ponta de ciúme, tu às vezes pareces possuída pelas palavras. E ele nem sabe bem do que está a falar, como um idiota à porta de um palácio, percebe a grandeza do que tem pela frente, mas não se atreve a entrar. A própria Susana sente que por vezes o Afonso não encaixa bem, mas é realmente difícil comparar quando a droga se intromete com o sexo, nos prazeres não há uma verdadeira soma, a não ser na ressaca, por isso o trouxe para o seu quarto, comprou as doses de heroína, intercalando-as com o sexo, buscando êxtases das ereções e alívios dos chutos, procurando formar frases onde algumas palavras fossem surpreendentes, ainda que fosse por uns instantes, e antes de se tornarem useiras e ter de atirar o livro ao chão.

domingo, 17 de junho de 2018

SIDA – Armindo

Consigo imaginar a anuência escorregadia com que morre um cristão, ou a insubmissão húmida com que morre um ateu, porque já por alguma vez me imaginei algum deles, mas como morre um maciço como o Armindo, uma estrutura óssea imponente, bem estufada de carnes trabalhadas, é para mim um mistério. Em particular se a morte não tem uma causa substantiva, de um peso semelhante, palpável, exterior, uma morte de que nos pudessem dizer, olha, o Armindo morreu, foi atropelado por um camião, não morreu logo, ainda esteve três dias em coma no hospital, perdeu o queixo quando foi de rastos pelo alcatrão, mas quando o visitei encontrei o seu corpo todo, tombado, é certo, mas era o Armindo, os braços moldados alinhados fora dos lençóis, com os dedo grossos onde costumava colocar os anéis. Agora, se o mal vem do interior, como uma térmita que corrói um edifício por dentro, pela calada, instalando-se lá, tornando-o oco, até que chega o momento em que não passa de uma majestosa figura de chocolate, uma figura de si mesmo, frágil ao contacto, onde facilmente se faz mossa, começando a ficar ridículo com as suas mazelas, vulnerável ao toque dos dedos, desfigurando-o de encontro ao vazio interior, ganhando um aspeto chupado, atrofiado, deixando de parecer o Armindo, então pergunto-me, o que é que está a acontecer ao Armindo, que merda de morte é esta, este retrocesso, este amesquinhamento, e por que não adopta ele uma posição, um ponto de vista em que se apoiar, por que não mostra a resignação de quem vai partir e junta os amigos à sua volta, imensos, como num funeral, ou então a revolta de quem não aceita e solta um brado aos céus, fodeste-me, mas para a próxima vais ver, uma blasfémia que está na base da ciência, mas nada, está tão calado como o bicho que o escava, mingua. Vou visitando-o ao longo dos dias, em cada um deles levo um Armindo e trago outro, menor, menos igual ao anterior, e aflige-me não se afligir. Por isso resolvo carregar um fardo que não é meu e monto uma tenda ao lado da sua cama, uma grande tenda de circo onde interiormente presencio as mais variadas palhaçadas, malabarismos, números com animais e fogo, tudo junto, números de que não consigo perceber o princípio nem o fim, em zapping, e enquanto o Armindo continua impávido, esvaziando-se lentamente como um boneco de borracha, eu, por dentro, entrego-me aos mais desmesurados assombramentos, cheios de risos aparvalhados, fedor de animais submissos que se oferecem ao gosto do chicote, belos trapezistas, cruzando o céu debaixo do toldo em encaracolados mortais, em sequência, e quando colocam solidamente os pés de regresso à base o público, constituído apenas por belos Adónis, solta uma exultação orgásmica cá em baixo, imagino também os palhaços enxovalhando-se, pregando-se partidas, rindo-se na cara uns dos outros, exageradas caras brancas e vermelhas, ninguém ri assim, pode dizer quem está junto da morte, mas eu, Humberto, é assim que estou junto à cama até que um dia olho e está vazia, o Armindo desapareceu, não existe, já não chupa um caralho.

domingo, 10 de junho de 2018

Riff – Gonçalo

Na primeira vez há sempre algum risco, mas quem não arrisca na primeira arrisca-se a não arriscar nunca, essa é que é essa. Como num concerto, no palco, com as caras cheias de euforia lá em baixo, braços no ar, estendidos, de dedos esticados, bocas estiradas em prolongados ais, e os músicos perfilados em silêncio. Começa-se, então, com um riff de guitarra, devagar, quase a medo, com tudo o mais ausente, talvez se sinta o agitar do coração do baterista a oxigenar por entre a catedral de pratos, pedais e tambores, com a pulsação a chegar às baquetas que pressentem o cheiro a adrenalina, enquanto o público se silencia de pescoço estendido como grandes lagartos alongando-se lentamente em direção a uma presa, acariciando com as línguas compridas o fio de notas que vai passando em fila indiana, bem comportadas, como um grupo de bailarinos cadenciando uma sequência de passos, e vão eles lambendo o ar à volta delas, uma a uma, sentindo-lhes a harmonia, um monstro com gostos gourmet, diria. Depois, repentinamente, desaba uma trovada tropical, com os pratos a relampejar exaltando de vibrações de luz o espaço, tornando-o descontínuo, fragmentário, pelo que os lagartos aproveitam para se atirar ao ar efetuando mirabolantes acrobacias nos pequenos cubos luminosos que julgam a eles ser destinados, talvez com reminiscências de teletransporte do Star Trek, cubos arrancados do chão pelo baixo, tornados translúcidos pelas guitarras, enquanto sobre o palco o vocalista pronuncia uma ou duas ininteligíveis palavras que os lagartos repetem entrelaçando as línguas e girando uns sobre os outros, aos dois e aos três de cada vez, como multi-pontiagudos dardos. E é o Gonçalo que está lá em cima. Sim o Gonçalo Aires, com a cabeça de cabelos desgrenhados, pretos, tronco nu, o peito escuro mas quase totalmente rapado, não fosse por alguns pelos apenas, por alturas dos mamilos, ponteando-os, pequenos repuxos de um jardim barroco rodeando um minúsculo tanque onde habita uma franzina planta aquática, como o Gonçalo ele todo, ossos jovens sobre carne jovem e pele sedosa, sustendo-se com as mãos sobre os pulsos, com a Ivone por baixo, com a garganta em v, atirada para cima, trazendo um arrasto de cabelos, como o véu de uma noiva, rendilhado, deixando uma mancha de clara de ovo, estrelado, por onde irrompem os olhos de Ivone, a boca, a língua, esticada, a cheirar o ar em volta, devagar Gonçalo, consegue dizer sem esconder a língua, projeta mais o pescoço, atirando os olhos lá para trás, onde as mão empurram a parede, provocando uma vibração nos seios que teima em não desaparecer, os mamilos nitidamente maiores que os de Gonçalo, provavelmente com outras ambições, se desmedidas apenas o tempo o dirá, rápido agora Gonçalo, dos cabelos desengancham-se línguas dardejantes, projetando-se em direção às paredes, ricocheteando, entrelaçando-se e deslaçando-se extenuadas no chão, as dos cabelos do Gonçalo encaracoladas, saem como bumerangues procurando trazer de volta as de Ivone, dobradas, rendidas, agora um riff apenas, Gonçalo.

sábado, 9 de junho de 2018

Inferno – Romeu

Anda Romeu azucrinado com dois diabinhos, um em cada ouvido, que à competição, como num fado à desgarrada, vão declamando das suas razões. Nunca os viu, e bem pode virar a cabeça de repente, procurando pôr os olhos onde antes estavam as orelhas, que nem um rabinho lhes avista. Mas que lá estão lá estão, e de uma outra coisa está Romeu certo, um parece ser bom e o outro mau. O bom perfilha a cartilha humanista, pois no seu julgamento a condição humana vem sempre à baila. Já o mau é egoísta e pensa apenas nele, que, neste caso, tratando-se de diabinhos conselheiros, é no Romeu, o que faz com que mesmo sendo um diabinho mau não seja mau de todo. Mas vamos ao que interessa, L’Ancien Régime, a novela interrompida, a enorme injustiça de que se sente vítima Romeu, e agora o esforço colocado na escrita de uma segunda parte, Mistério, com esperança que venha a despertar o interesse dos produtores, mas que continua enguiçada e ameaça nunca vir a sair do papel. E nada melhor para perceber o quanto azoado anda Romeu com estes dois diabinhos do que vos descrever o que aconteceu num pequeno almoço, em que o Alvares, o técnico de imagem, aparecendo como que vindo do nada, puxa à conversa um suposto comentário do Tavares sobre a putativa sequela, mistério, disse ele, Alvares, sobre o que teria dito o outro, Tavares, quando leu o manuscrito, mas isto é uma aventura ou um mistério, nós estamos com atenção, terá assinalado o Tavares. O diabinho mau, que mais parece um garoto com bichos-carpinteiros, ainda não tinha o Alvares terminado e já estava a invetivar o Romeu, este tipo vem à pesca, dá-lhe de comer, vai ficar dececionado se não levar nada para casa. Já diabinho bom procura colocar água na fervura, contrabalançando, diz, repara como ele está em sofrimento, coitado, fala, é verdade, mas não consegue disfarçar a tristeza nos olhos, não nasceu para ser mau. Mau, claro que não, repreende-o o diabinho da mesma qualidade, achas que se fosse mau o mandariam vir aqui, a maldade tresanda a enxofre e este ainda cheira a Johnson, diz com desdém. Estás a ver, até ele concorda que ele não é mau tipo, aproveita o diabinho antónimo, vem de certeza imbuído de um motivo nobre. Eh, eh, ri com escarninho o diabinho antónimo do antónimo, queres ver que ainda vai para o céu. E porque não? Cai na ratoeira o diabinho oposto. Eh, eh, insiste, o oposto do oposto, tal coisa não existe, vão todos para o inferno, a única diferença é que os maus ficam na gestão. Não lhe prestes atenção Romeu, esse filho ilegítimo de Satanás não acredita em nada, se tratares bem o Alvares vais ver que ele irá reconhecer e estimar-te. Qual quê, exclama o outro, se lhe deres o que quer irá de volta convencido da sua nobre missão, e então repararás como a tristeza inicial se transformará num alívio ético, espólio da vitória, senão ficará revoltado com o seu desaire e podes ter a certeza que se sentará à mesa do teu próximo pequeno almoço com redobrada raiva. O Romeu, talvez pela convivência com a sua tia-avó Roberta, não se contém e exclama o que a falta de espaço e o pudor me impedem de escrever.

sábado, 2 de junho de 2018

Oblívio – Zé

Um sistema de posições meticulosamente desenhadas num contínuo, onde a variação de um milímetro conta, numa prova irrefutável que entre quaisquer dois pontos existe uma infinidade de outros, prontos para a aproximação, prontos para revelarem o abismo entre eles, sugerirem coisas incontáveis, inarráveis em poucas palavras, por mais que nos precipitemos sobre elas com frases sintaticamente corretas, que a semântica não vai lá com gramáticas, frases maravilhosamente blindadas, das quais pensamos, não falta ali nada, nem um de, nem um a, nem um o, nem um da, nem mesmo um e, nada, como os dentes cerrados que rasgam o fio dental, como uma criança se recusa a obedecer, se fecha sobre si própria, protegendo-se, crescendo, entrando na fase em que se cimentam as paredes, se tapam as rachas entre os tijolos, se coloca maquilhagem sobre a cara, negando a existência do umbigo, essa reentrância que se retorce sobre si mesma, em espiral, por onde enfiamos a língua, à procura de um ponto, de um choque original, e vamos entretanto acomodando os olhos ao gigantesco pequeno, com o nariz para ali enfiado, como a câmara de um drone planando sobre as crateras formadas pelos poros, num contínuo, que aqui ora se estende, ora encolhe, longas planuras alvas onde andamos perdidos, sem um ponto de referência, para frente e para trás, como autistas no desempenho de uma tarefa, estendendo a língua idiota, lambendo, molhando, balbuciando com o infinito, um mantra, dizem os mais letrados justificando os movimentos repetitivos da nuca, não interessa, um muro de lamentações sobre o ventre liso, bamboleante como um rede acrobática, para onde atiramos o rosto, inspirando inspirados, pois para além dos olhos só o nariz está desperto, aprecia o trabalho da língua, não a traidora que cospe belas palavras, as que nos trouxeram aqui, a esta cama, não, aquela que humedece, que faz exaltar os odores, e vamos sentindo todo o seu espetro enquanto a cabeça vai e vem, e o nariz sempre atento não quer perder pitada, que agora até já os olhos se turvam, é assim em todas as celebrações, chamam-lhe o estado de transe, atinge-se uma forma de amnésia, esquecem-se as posição há tanto tempo desenhadas, fruto de num trabalho persistente, minucioso, como uma estrutura algébrica, com um fecho qualquer, feito do saber de séculos acumulados, mas é esse o culminar de toda a obra, quando se incrusta no leitor, perde-se a necessidade do seu suporte em papel, entra pelos corpos a dentro e já podemos mandar queimar os livros, não interessa, e depois, claro, a penetração, um ritual próprio, capaz das encenações mais grandiosas, às vezes, outras, parece mais um sussurro, um pedido de desculpa, implorado, entre o anteceder de um grande segredo e a revelação mais banal, despertando uma curiosidade puramente sintática, facial, prega-se no cérebro, lá bem atrás, onde as máquinas de inferência não chegam, salvaguardada, protegida, junto a outras, por categorizar, e a coisa prossegue, como costuma ser, e quando o Zé quer fazer acompanhar o transvasamento de um nome, esquece-se de qual é, oblívio.