quarta-feira, 30 de maio de 2012

De supetão

De supetão, uma centelha de calor enche-se de suor
De supetão, um rebentar de nêsperas enche-se de sabor
De supetão, um espreguiçar de luz enche-se de dia
De supetão, um despertar de linhas enche-se de formas

domingo, 27 de maio de 2012

Espiar

Escrevi há algum tempo que o caso da maçonaria seria talvez apenas um problema de moscas.

Mas com o que se vai sabendo o problema tem uma grande dimensão. Os espiões fazem relatórios sobre a vida privada de membros proeminentes da economia, o caso Balsemão . O presidente da república queixa-se que foi alvo de escutas telefónicas, o caso Cavaco Silva. Os jornalistas espiam a família real e o chefe de oposição/primeiro ministro, e são próximos ao outro chefe da oposição/primeiro ministro, o caso Rupert Murdoch. Os ministros recebem informação de espiões e fazem chantagem sobre a vida privada de jornalistas, o caso Miguel Relvas e Silva Carvalho, ...

Parece que espiar se tornou numa importante arma do "jogo democrático". Permitirá redefinir estratégias em tempo real e utiliza de forma igual os serviços secretos e as empresas de segurança privadas. Tudo será facilitado por a tecnologia de produção e análise da informação ser cada vez mais ubíqua.

Serão moscas mas o burro vale a pena.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Hi in Vegas

Hi Vegas
I'm in Vegas
I'm at the Harrahs
I'm at the Circus
I'm not downtown

Hi Mom
I'm in Vegas
I've been shopping
Walking stripdown and up
Having a lot of fun

Hi there
Ain't I gorgeous?
I know, I'm just a girl on a card
But if you wish
I can become for real

Hi 500 dollars babe
I'm just a 100 pounds boy
I've left home today
And I can dream
Hi I Hi I Hi I Hi I

Hi Dad
I'm in Vegas
I've been playing blackjack
I put on that poker face you taught me
But there was no girls on the cards

How can I get to power?
Enter at Bally's
Pass through the slot machines
Turn left where the blackjack tables are
Do a walkthrough charming Paris
Get out at the Arc de Triomphe
Turn right to the Eiffel Tower
And you'll see Cesars Palace
And then Trump Tower
The power back and forth
Back and forth

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Linha Vermelha

O filme Linha Vermelha de José Filipe Costa é um filme honesto, não porque o Cinema seja necessariamente honesto, mas porque o realizador o é. É um documentário sobre o filme Torre Bela de Thomas Harlan, que relata a ocupação de uma herdade no Ribatejo em 1975. O documentário mostra como a presença da câmara de filmar desencadeia acontecimentos e como Thomas Harlan a usa para manipular a realidade. Ainda assim, como a manipulação necessita de se alimentar da realidade para ser verosímil e a passagem do tempo torna a manipulação quase anedótica, fica muito para ver.

Vê-se o dono da herdade no seu palácio (era assim que os trabalhadores viam a casa da herdade) dizer, com um Francês distinto, não saber de onde vinham os trabalhadores da herdade. Veem-se os trabalhadores, com um ar infantil a olhar boquiabertos para o palácio. Era este o Portugal de antes do 25 de Abril. Linha vermelha segue o percurso dos ocupantes até aos dias de hoje e percebe-se que já não olham boquiabertos para o palácio. Contudo não segue o percurso do dono da herdade pelo que ficamos sem saber se o resultado de perder o seu palácio foi ter-se fechado noutros palácios, mais ou menos virtuais, limitado a saber do que ocorre lá fora através da mediação de Rasputines.

Na França, em 1789, quem tinha o poder vivia fechado num palácio chamado Versailles e tinha pouca consciência do que acontecia na sua herdade chamada França. Foi preciso uma revolução para deixar de haver um Rei da França e passar a haver um Rei dos Franceses. Contudo, não deixa de ser curioso que a verdadeira revolução aconteceu alguns milhares de quilómetros para oeste, com a independência dos Estados Unidos.

Neste momento de crise começam a resurgir os desígnios que ultrapassam a dimensão das pessoas. É Portugal, é a Nação, e deixa de ser os Portugueses. O sacrifício das pessoas é pedido a bem destes desígnios pintados de abstrato. Contudo a História ensina-nos que eles nunca têm nada de abstrato e são de fato os desígnios de alguns.

sábado, 21 de abril de 2012

Um gato

Era uma vez um gato gordo e fofo que fazia cocó na banheira e uma menina que gostava muito do gato porque uma menina é uma menina e um gato é um gato.

terça-feira, 17 de abril de 2012

sábado, 7 de abril de 2012

Do Poder e dos Afetos (snipers)

As três primeiras intervenções são certeiras e claramente dirigidas umas às outras. Antevê-se o despertar de paixões, uma guerra. E se os primeiros tiros forem apenas uma encenação?

Numa trama digna de Agatha Christie dir-se-ia que objetivo das primeiras intervenções é apenas o despertar de emoções. Mas não é necessário ir a Agatha Christie, a história das guerras civis está cheia de aprendizes de feiticeiro, que começam fascinados consigo próprios e acabam num emaranhado de feitiços.

Depois vem o nojo, o silêncio, o esquecimento, e então surge um novo aprendiz que pensa que desta vez é que é.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Kizomba

Gosto de Kizomba.
Gosto de dançar com horizontes cheios de embondeiros que não há maneira de parirem.
Gosto de dançar com horizontes que não param de parir mais e mais embondeiros.
Gosto de dançar com canções prenhes de palavras que não entendo.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Do Poder e dos Afetos (2)

MACBETH
We will proceed no further in this business:
He hath honour'd me of late; and I have bought
Golden opinions from all sorts of people,
Which would be worn now in their newest gloss,
Not cast aside so soon.

LADY MACBETH
Was the hope drunk
Wherein you dress'd yourself? hath it slept since?
And wakes it now, to look so green and pale
At what it did so freely? From this time
Such I account thy love. Art thou afeard
To be the same in thine own act and valour
As thou art in desire? Wouldst thou have that
Which thou esteem'st the ornament of life,
And live a coward in thine own esteem,
Letting 'I dare not' wait upon 'I would,'
Like the poor cat i' the adage?

MACBETH
Prithee, peace:
I dare do all that may become a man;
Who dares do more is none.

LADY MACBETH
What beast was't, then,
That made you break this enterprise to me?
When you durst do it, then you were a man;
And, to be more than what you were, you would
Be so much more the man. Nor time nor place
Did then adhere, and yet you would make both:
They have made themselves, and that their fitness now
Does unmake you. I have given suck, and know
How tender 'tis to love the babe that milks me:
I would, while it was smiling in my face,
Have pluck'd my nipple from his boneless gums,
And dash'd the brains out, had I so sworn as you
Have done to this.

MACBETH
If we should fail?

LADY MACBETH
We fail!
But screw your courage to the sticking-place,
And we'll not fail.

- Macbeth, William Shakespeare

sábado, 31 de março de 2012

Do Poder e dos Afetos

Bonaparte: Now some people say he's gotten a little too big for his spats. But I say, he's a man who'll go far. Some people say he's gone too far. But I say, you can't keep a good man down. Of course he's still got a lot to learn. That big noise he made on St. Valentines Day - that wasn't very good for public relation. You let them two witnesses get away. That sure was careless.

Spats: Don't worry about those two guys. They're as good as dead. I almost caught up with them today.

Bonaparte (flabbergasted): You mean you let 'em get away twice? Some people would say that's real sloppy. But I say, to err is human, to forgive divine. And just to show you what l think of you, Spats, the boys told me you was gonna have a birthday. So we baked you a little cake.

Spats: My birthday? Why, it ain't for another four months.

Bonaparte: So we're a little early. What's a few months between friends?

Some Like It Hot, Billy Wilder

domingo, 4 de março de 2012

Pessoas, boas más assim assim

Esta semana por várias vezes ouvi argumentações acerca da maioria das pessoas ser honesta e trabalhadora. Claro, que quem assim argumenta está também a referir-se àquela minoria que não o é. Esta é a velha questão das pessoas boas e das pessoas más. O problema não é novo.

Antes da libertação, os campos de concentração nazis, como Auschwitz, tinham um conjunto de pessoas boas e trabalhadoras que estavam, de forma sistemática, a exterminar pessoas que em vez de trabalhar eram avarentas e se dedicavam à usura. Não era por acaso que nos campos havia inscrições a dizer que o trabalho educa.

Claro que no dia da libertação os papéis se inverteram e subitamente as pessoas boas já não tinham mulheres e filhos à sua espera em casa, mas eram completamente desumanas.

A experiência de Milgrim procurou perceber como é que este tipo de situações pode acontecer, dado que a maior parte das pessoas é honesta e trabalhadora. De acordo com os resultados da experiência cerca de 65% das pessoas é obediente e segue as ordens da autoridade até ao fim. Ou seja, os guardas de Auschwitz poderiam ter sido cidadãos honestos e trabalhadores do Connecticut.

A experiência não dá nenhuma caracterização dos 35% de pessoas que se recusou a submeter outras pessoas a choques elétricos que os poderiam levar à morte. Mas parecem ser pessoas que têm tendência para desobedecer a ordens, para não fazerem o que lhes compete.

Aqui levanta-se-me uma questão. Então são estas pessoas que não obedecem a ordens, que não fazem o que devem, que são boas? Mas Portugal precisa dos outros e esses são maus!

Estarei confuso? Assim assim,

quinta-feira, 1 de março de 2012

Anda para aí uma gripe

Entrou, instalou-se no corpo, e quase me convenço a deixá-la ficar. Há qualquer coisa de agradável no torpor do estado febril e no esticar das pernas doridas. Mas resisto e corro com ela à força de paracetamol.

Sinto qualquer coisa no corpo e dizem-me que anda para aí uma gripe, mas pressinto que é ela de novo, talvez travestida com uma nova aparência, ardilosamente construída com as suas memórias da visita anterior.

E se fui eu que me instalei neste corpo, e estou apenas a presenciar um primordial encontro.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Douradas

Sobre o gelo, a olhar uma para a outra, duas douradas. Detenho-me a comparar a luz nos olhos, o corte das bocas, a dimensão das guelras, o brilho das escamas e o contraste nos padrões. Procuro perceber no que difere uma dourada de alto mar de uma dourada de aquacultura, mas apercebo-me que estou a ser preguiçoso autocentrado e urge-me ser descomplexado competitivo. Assim, desvio o pensamento mas sucumbo, e perante os olhos surgem-me dois gestores, frente a frente, Passos Coelho e Steve Jobs.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Neutralidade

Perguntam-me se é possível ser-se neutral. Respondo que deve ser possível, mas provavelmente tem um preço.

Por vezes o preço é alto, e como tal impossível de pagar. À criança Vito Corleone, no início do Padrinho Parte II, não é dada oportunidade de ser neutral. A guerra civil Espanhola está cheia de histórias dessas.

Já nas situações menos extremas o preço da neutralidade é, apenas, não participar no banquete dos vitoriosos. Mas por outro lado não se corre o perigo de ter a sorte dos derrotados. Ou seja, se não nos importarmos de não estar na primeira fila da divisão dos recursos, então é possível ser-se neutral.

Na actual sociedade Portuguesa pode começar a ser cada vez mais difícil ficar neutral (A Construção da Máfia Portuguesa I , A Construção da Máfia Portuguesa II), porque os recursos escasseiam e a sorte dos neutrais não diferirá da dos derrotados.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Borges e os Outros

Nos anos 40, a oposição às políticas de Péron valeu a Borges a demissão de bibliotecário municipal e a oferta de um lugar de inspector de aves. O ultraje, de que se alimentam os poderosos, conjuntamente com a prisão da mãe e da irmã, marcou Borges. Enquanto presidente da sociedade de escritores argentinos (SADE) foi sentindo o isolamento e a solidão daqueles que se opõem a ditadores demagogos, como era o caso de Péron. (1)

Nos anos 70, Borges apoiou os golpes estado de Videla e Pinochet. De Pinochet disse que era bondoso (2). Do então presidente da sociedade dos escritores argentinos disse que não representava ninguém, quando este indagava Videla sobre o destino de escritores desaparecidos, alguns deles provavelmente lançados vivos, de avião, sobre o mar da prata. (3)

O apoio a Videla e Pinochet estava enraizado na repulsa a Péron que tinha regressado em 1973 à presidência da Argentina por via democrática.

Talvez a humilhação sofrida fosse como um daqueles punhais que, segundo Borges, o das mitologias dos subúrbios, cumprem o seu destino de morte para além da vontade dos homens que os empunham.

Talvez, ainda segundo Borges, o dos jogos com o tempo e o infinito, antes ou depois de morrer, se tenha encontrado perante Deus e lhe tenha perguntado quem era, ao que Deus lhe terá respondido, meu Borges, tal como te sonhaste ninguém também eu te sonhei homem. (4)

(1) Peron's government had seized control of the Argentine mass media and regarded SADE with indifference. Borges later recalled, however, "Many distinguished men of letters did not dare set foot inside its doors." - Wikipedia, Jorge Luis Borges, Political Opinions.

(2) El día en que Borges perdió el Premio Nobel - Carlos Maldonado R.

(3) Borges on the Right - Katherine Singer Kovacs

(4) La historia agrega que, antes o después de morir, se supo frente a Dios y le dijo: Yo, que tantos hombres he sido en vano, quiero ser uno y yo. La voz de Dios le contestó desde un torbellino: Yo tampoco soy; yo soñé el mundo como tú soñaste tu obra, mi Shakespeare, y entre las formas de mi sueño estás tú, que como yo eres mucho y nadie. - Jorge Luis Borges (Everything and Nothing)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Um poço sem fundo (2)

Borges y Yo


Al otro, a Borges, es a quien le ocurren las cosas. Yo camino por Buenos Aires y me demoro, acaso ya mecánicamente, para mirar el arco de un zaguán y la puerta cancel; de Borges tengo noticias por el correo y veo su nombre en una terna de profesores o en un diccionario biográfico. Me gustan los relojes de arena, los mapas, la tipografía del siglo XVII, las etimologías, el sabor del café y la prosa de Stevenson; el otro comparte esas preferencias, pero de un modo vanidoso que las convierte en atributos de un actor. Sería exagerado afirmar que nuestra relación es hostil; yo vivo, yo me dejo vivir para que Borges pueda tramar su literatura y esa literatura me justifica. Nada me cuesta confesar que ha logrado ciertas páginas válidas, pero esas páginas no me pueden salvar, quizá porque lo bueno ya no es de nadie, ni siquiera del otro, sino del lenguaje o la tradición. Por lo demás, yo estoy destinado a perderme, definitivamente, y sólo algún instante de mí podrá sobrevivir en el otro. Poco a poco voy cediéndole todo, aunque me consta su perversa costumbre de falsear y magnificar. Spinoza entendió que todas las cosas quieren perseverar en su ser; la piedra eternamente quiere ser piedra y el tigre un tigre. Yo he de quedar en Borges, no en mí (si es que alguien soy), pero me reconozco menos en sus libros que en muchos otros o que en el laborioso rasgueo de una guitarra. Hace años yo traté de librarme de él y pasé de las mitologías del arrabal a los juegos con el tiempo y con lo infinito, pero esos juegos son de Borges ahora y tendré que idear otras cosas. Así mi vida es una fuga y todo lo pierdo y todo es del olvido, o del otro.
No sé cuál de los dos escribe esta página.

- Jorge Luis Borges

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

As moscas

Confesso que começo a ter pena do pessoal da maçonaria, de tanta pancada que têm levado. Ainda por cima, apanhados em contramão no PSD.

De tudo isto ocorre-me uma questão. Pelo que leio percebo que vale a pena pertencer à maçonaria, parece que se conseguem uns benefícios, mas não leio em lado nenhum quais são os mecanismos usados para obter essas benesses.

Assim, começo a recordar as velhas Farpas de Ramalho Ortigão e Eça de Queiroz e pergunto-me se isto não será só um problema de moscas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Um poço sem fundo

Por vezes questiono-me sobre se o ser é dizível ou indizível. A possibilidade de possuir um objecto por o dizer é bastante antiga e deve ter começado por ser um acto de magia. A representação de animais e peixes nas pinturas rupestres simbolizavam a capacidade de possuir a coisa em si e, consequentemente, de a matar.

Talvez para proteger a vida humana, e dado que a proibição de um ser humano matar outro ser humano é das mais antigas, foi desenvolvido este princípio de que o ser é indizível. Ele encontra-se nas religiões, em que o ser é referido como alma, em algumas manifestações artísticas, na sua procura do silêncio, ou até, de uma forma mais racional, na declaração universal dos direitos do homem, no respeito por todas as diferenças e portanto na impossibilidade de as reduzir a uma mera representação.

Mas será o ser mesmo indizível? Por exemplo, se observar continuamente uma pessoa, em todos os seus actos serei capaz de a possuir, de a tornar finita?

No filme Blade Runner há um diálogo que ilustra bem essa fronteira entre o ser e o não ser, entre o dizível e o indizível, entre Rachel, uma replicante, e Deckard, um blade runner (caçador de replicantes).

Rachael:    You think I'm a replicant, don't you?
Deckard:    Hah.
Rachael:    Look, it's me with my mother.
Deckard:    Yeah. -- Remember when you were six? You and your brother snuck into an empty building through a basement window. You were gonna play doctor. He showed you his, but when it got to be your turn you chickened and ran. Remember that? You ever tell anybody that? Your mother, Tyrell, anybody huh? You remember the spider that lived in a bush outside your window? Orange body, green legs. Watched her build a web all summer. Then one day there was a big egg in it. The egg hatched--
Rachael:    The egg hatched...
Deckard:    And?
Rachael:    And a hundred baby spiders came out. And they ate her.
Deckard:    Implants! Those aren't your memories. They're somebody else's. They're Tyrell's niece's


Mas Philip K. Dick torna os replicantes indizíveis quando coloca Roy, um outro replicante, a poupar a vida de Deckard e a morrer em paz.

Roy:    I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the darkness at Tanhauser Gate. All those moments will be lost in time like tears in rain. Time to die.

Os regimes autoritários sempre tiveram a tentação de tornar o ser dizível. Vejam-se as confissões, quase sempre obtidas através da tortura, durante a Inquisição ou nas purgas Estalinistas. Uma vez reduzido o ser à sua confissão, matá-lo, terminar com o seu corpo, era já apenas um pormenor.