Humberto Mascarenhas perdeu as eleições para as europeias e, embora este resultado não fosse de todo inesperado, dadas as sondagens, mas sondagens são apenas sondagens e o que conta é o resultado do voto expresso nas urnas, aproveitou o discurso feito nessa noite, para refletir sobre o futuro da direita em Portugal, e aquela que pretende ser a sua estratégia, tendo deixado alguns conselhos louváveis. O primeiro não merece grande discussão, este é o momento, mais do que nunca, disse, de não desanimarmos perante os resultados, é o momento de reforçar o acreditar nos nossos princípios, nos valores que defendemos. É um excelente conselho, que o próprio Humberto Mascarenhas deveria talvez seguir quando fez campanha, onde muitas das suas intervenções pareciam um nim, sim, falando da iniciativa privada, mas não, nunca colocando em causa um estado social, que sabemos é a causa do muito que vai mal neste país. Mas o meu objetivo não é estar aqui a discutir imediatistas estratégias pós-eleitorais, vertidas a quente, primeiro ao lume brando das estimativas dos telejornais das 20 horas, depois na ebulição dos resultados consumados, mas sim a parte em que Mascarenhas disse que estes resultados não são o fim da direita, de uma direita que já várias vezes teve a maioria absoluta em Portugal, acentuou, que o que faltou foi não se ter respondido cabalmente às ansiedades do povo de direita, que existe, está lá, ainda que dormente nestas eleições. De seguida, convidou a Direita a unir-se para reconquistar os valores de Portugal, e declarou que se ultrapassarmos as nossas diferenças, para em vez disso nos focarmos aspetos reais do nosso Portugal, da nossa economia, da nossa saúde, da nossa educação, vamos ser um país melhor, sem a extrema-esquerda no poder. Muito bonito. Aquilo que pergunto é, será que vamos mesmo? Em boa verdade, eu diria que depende muito daquilo que entendermos pela união da direita. Neste país, essa direita corresponde a duas realidades completamente distintas. Uma coisa é a essa direita que já nos deu tantas alegrias, onde se pode mesmo encontrar uma raiz identitária, e historicamente mais alinhada com o Portugal real, aquele que tem 700 anos de história. Aí estou de acordo com Humberto Mascarenhas, é uma pena que a divisão da direita faça com que não esteja condignamente representada no Parlamento, e que os seus valores não passem para as empresas públicas, para as escolas e para os hospitais, numa sociedade onde não há cá interesses pessoais, não há favores, não há familygates, onde nenhuma vaidade pessoal resiste ao interesse comum. Só que depois existe uma outra realidade associada a esta mesma direita, e que são as várias direitas, ou melhor, as pessoas que fazem a direita, pessoas, por vezes, quase idolatradas, e em que todo este tempo puseram a mão por debaixo deste governo de esquerda, que nos momentos fulcrais lhe suavizaram o caminho, repetindo ad nauseam o bem de Portugal, e que agora se propõem ser os salvadores da direita. Se a sua força contaminar a direita portuguesa, as consequências serão calamitosas.
In 25 de abril sempre (2019)
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