sábado, 18 de maio de 2019

O Humberto Mascarenhas é, essencialmente, um liberal

O Humberto Mascarenhas é, essencialmente, um liberal. Não, permite-me discordar, o Humberto Mascarenhas é, fundamentalmente, um conservador, um conservador de uma direita à moda antiga, que tem mais raízes na máquina do estado, no antigo cooperativismo, do que na iniciativa privada. Bom, quanto ao partido a que pertence estamos de acordo, mas é sabido que o Humberto Mascarenhas não é o espelho do seu partido, são públicas as dificuldades internas que tem tido, e reconhecido como é por mérito próprio, pelas suas próprias capacidades, que consegue ter a voz que tem dentro do seu partido, ainda que contra a corrente. Permite-me, não nego as suas competências, mas não estou tão certo que esse papel de enfant terrible não seja convenientemente explorado, se não mesmo incentivado, no interesse da imagem do partido, o qual necessita de se suavizar, de se tornar mais apetecível, para seguir, até ver, com o barco dos tempos, enfim, um rebranding, para sermos mais precisos. Queres então dizer que o que ele defende é apenas circunstancial, que não é o que efetivamente pensa, quando diz defender posições mais liberais, sobretudo nos aspetos dos costumes, como a liberalização do consumo de drogas leves ou as questões de género. Aqui tenho uma opinião diferente de vós, o Humberto Mascarenhas é, essencialmente, um político, e como tal uma pessoa pragmática, pelo que já sabemos que nunca defenderá nada em que não acredite, em que não acredite que não resulte. Isso é muito geral, e pode ser dito em qualquer situação, até o já tens repetido aqui muitas vezes, mas quero voltar ao argumento do rebranding, pois se reduzirmos a nossa análise à formulação de cenários, o espaço de debate deixa de ser de análise para ser de política, dado que a mera formulação de um cenário tem a possibilidade de gerar um facto político, e eu, pessoalmente, quero estar aqui como analista, não como participante do jogo político. Deixai-me, a mim que ainda não tive oportunidade de dar a minha opinião sobre este assunto, e ficando bem claro que, e sem qualquer tipo de reserva, que conheço bem o Humberto Mascarenhas, por quem nutro uma grande consideração, quer pessoal, quer profissional, e de quem sou amigo, ainda esta semana estive a almoçar com ele, que na minha opinião, o Humberto Mascarenhas é, essencial e fundamentalmente, um liberal de direita, um homem do mercado e para o mercado, ou não se tenha ele especializado em direito empresarial, sendo um férreo defensor da iniciativa privada e dos negócios em geral. Pois é aí que discordo, e não nos desviando da iniciativa legislativa, que estamos a discutir, proposta pelo Humberto Mascarenhas, acho mesmo que a iniciativa privada e a iniciativa dos negócios estão em clara contradição, e é por isso que me parece que esta iniciativa tem pés de barro, pois sabemos que a proposta condicional da reposição dos rendimentos, nos termos em que é feita, não é exequível, é areia para os olhos, deixa o Humberto Mascarenhas, e o seu partido, bem na fotografia e nos resultados, que não serão nenhuns.

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