domingo, 21 de abril de 2019

Mouro, o caramelo, por estrelinha97

Estranhareis o extravasamento desta obra, pois sois de um tempo em que eram escritas na obsessão com o contexto, a que, numa atitude auto justificativa, apelidavam de coerência. Esta coerência é bem patente na precisão das descrições dos lugares, dos tempos, das personagens, dos linguajares, por forma a serem uma única coisa. Essa preocupação utilitária foi transversal a todas as atividades humanas até que, como já tive a oportunidade de referir, as máquinas passaram a garantir o sustento. Agora podemos dedicar-nos ao mapa que é da dimensão do mundo, se é que me entendeis. E que melhor prova disso que o ícone, Mouro, o caramelo, por estrelinha97. Um ícone cerebral feito por quem nunca privou com os personagens reais desta história, que sim, a terá lido no tempo para o qual a escrevo, provavelmente ainda jovem, e que agora, passados muitos anos, resolve submeter à galeria o seu ícone cerebral sobre o Mouro, um Mouro lido, e nem me preocupo em dizer se foi gerado com uma versão com atestado de veracidade da Mindicon, dado que já não consigo contar o número de referendos que houve sobre esta norma, cada qual com uma elaboração mais detalhada da pergunta, que mais parecia uma discussão sobre qual o significado de veracidade nos dias de hoje do que um ato de decisão política. E tenho que realçar que este ícone não é como o de romeu77santana, e perdoai-me alguma imprecisão, se é que a há, onde podem ser detetados sinais de convivência com quem efetivamente privou com os personagens reais, e, deixai-me lançar um pouco mais de água na vossa fervura, se é que eles efetivamente existiram. É, inicialmente, um ícone bucólico, com a sua marca de ternura, onde não falta um porco amigo, irrealmente caminhando com o Mouro, lado a lado, como que se imbuídos do mesmo destino, especialmente quando sabemos da história que a intenção de um era comer o outro, digo-o sem presunção, sendo por isso essa caminhada em conjunto, se a tivesse havido, puramente circunstancial, e de curta duração. Por outro lado, a cor rósea do animal denuncia as falhas desta obra na descrição de pocilgas, como se para se poder dirigir a palavra a um porco ele tenha de estar, pelo menos, bem lavado e escovado. Depois, conforme nos vamos afastando e aproximando do ícone, dando passinhos virtuais, o Mouro surge coberto por uma folha de papel colorido, chamativo, papel de caramelo, torcido acima como um cabelo à Elvis, e a abaixo como um rabo de sereia, e se agora nos movermos um pouco à direita vemos o porco torcendo o pescoço e encarando o Mouro com uns olhos gulosos, um pouco sôfregos, babando-se, com uma baba de porco, deliciosa, diz quem já teve a felicidade de a provar, notando-se um desconforto debaixo do papel, um manear de ombros e ancas, agora que o Mouro se tornou num gordo paralelepípedo entra neste bambolear démodé, que já teve os seus dias, nos idos dos finais dos anos 50, sendo mesmo capaz de suscitar a exclamação, gostoso. E perguntais-vos vós, o porquê deste ícone cerebral na galeria Pinote? Bom, parece-me que não conseguis ver o mapa do tamanho do mundo.

Sem comentários:

Enviar um comentário