quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Salpico – Romeu

Caímos em queda livre. Braços soltos. Pernas bamboleantes. Splash!. Ao entrar as páginas engolem-nos num rápido movimento, como um soluço para dentro, fechando-se de novo. Somos um nódulo. Uma irregularidade. Ainda assim pequena. Apenas se percebe ao contacto da ponta do dedo. Uma singularidade. Miúda gira que nos saúda com um sorriso neste lado da página. Contínua em excelente forma na outra. Sustemo-nos pelo pontapear das pernas. À tona do texto. A cabeça enfrentando a legenda da fotografia. Livre e pronta para amar de novo. À espera que um marinheiro dê à costa. Parece-nos que não vai ter que esperar muito. Sentimo-nos aprisionados pelo agigantar do sorriso. Uma onda gigante que ameaça nos arrastar. Mergulhamos a tempo. Escapamos pela nesga livre entre a fotografia e o texto. Damos à costa. O corpo lambido pelas ondas. Brasil. Belo areal. Frondosas árvores. Densa floresta. Hermoso! casal este. Merecidas férias estas. Finalmente com algum tempo um para o outro. Vida sobrecarregada. Duas carreiras. Sempre a viajar. O que vale é que há muita cumplicidade. Uma quarta lua de mel. Bela barba rapaz. Ar de marinheiro. New Look!. Vaidosa a rapariga. Como este não há em todo o lado. Ficam bem atrás do sugestivo coqueiro deitado. Está-se a criar um clima. Não queremos importunar. De bruços atravessamos a página de fininho. Ao virar não podemos de lançar um olhar de felicidades para trás. Parece que viajámos no tempo. Não é que já estão a comemorar os anos do terceiro filho. O Manuel é como um pai para os miúdos. Um pai presente. Os manos gostam muito do António. O António ao colo. O António a gatinhar. O António dá os pequenos passos. O António não quer a chucha. O António apaga a vela. O António vestido de marinheiro. Tem boa onda o garoto mas agora necessita de mudar a fralda. Pedem-nos gentilmente para sair. A desprazer concedemos pois estávamo-nos a afeiçoar à criança. Dado o aperto saímos a crawl. Exaustos de tanto esbracejar desembocamos neste delicioso jardim. Que linda mansão. Elegante decoração. Que calma. Que paz. A gentil senhora mostra a sua nova casa. Ah, o jardim tem reminiscências das frondosas árvores brasileiras. Guardando as devidas distâncias, claro. Porque as idades são o que são. Que porte, que postura, da senhora no cadeirão. Cadê! o marido? Não surge figurado. Zarpou? Não, está a preparar as bebidas. Gostaríamos de ficar a fazer sala mas somos capturados pelo Sunset!. Que esplendor. Isto merece uma mariposa. Braços bem abertos. Cabeça à frente. Pernada forte. Salpicos pelo ar. Mergulho destemido. Eh pá. Nem percebemos como é que aqui fomos parar. Assim de repente. Um pouco à bruta. Então não é que a atriz francesa Sylvie Affranché, sim, aquela que tem uma tatuagem na omoplata, a da clave de sol, tem sido vista com o Romeu Santana, sim, o da novela L’Ancien Régime, aquela recentemente cancelada, as fotografias são um pouco desfocadas, é necessário puxar pela imaginação, mas ele não é casado?, dizem que é da velha guarda, um amante da cultura francesa.

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